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sexta-feira, outubro 23, 2009

Libro de Oro Futbol Actualidad 1953 e outras velharias

Antes, uma dica: clique nas imagens para ver em tamanho maior

Não posso passar perto de brique ou qualquer outra feira que venda antiguidades. Principalmente se tiver impressos. O gasto é inevitável.

Foi o caso da revista que é tema deste post, o “Libro de Oro Futbol Actualidad”, de 1953, comprado numa feira na Ciudad Vieja, em Montevidéu.


O destaque da edição são os preparativos para a Copa do Mundo de futebol de 1954, realizada na Suíça. Os uruguaios eram os campeões mundiais à época, pois haviam conquistado a edição de 1950, no famoso episódio do “Maracanazo” sobre o Brasil.

O Libro de Oro repassa os principais fatos nos esportes uruguaios naquele ano. Aliás, não só do esporte, como também há espaço até para o cinema. A novidade naquele ano era a chegada do sistema em terceira dimensão às salas do país, que não agradou muito.


Interessante também são os anúncios. Como o de baixo, que mostra que o fenômeno “emo” não é nada recente.


Pra quem gosta de cervejas uruguaias, tem essa relíquia da Patrícia, que tinha como grande diferencial ser “elaborada com a maravilhosa água Salus”.


A publicidade seguinte me chamou a atenção por algo não muito comentado, mas que deve ser verídico até hoje.


Como assim, comemos cerca de 17% da pasta de dente que usamos? Mais curioso é a sugestão de experimentar um pouco do creme para ver se os ingredientes são puros. Ou seja, dos males o menor.

Mas o que me impressionou mesmo é esse anúncio de óleo automotivo da Esso.


Aparentemente, nada anormal. Mas veja o detalhe do senhor agachado em frente ao carro.


Fumando em pleno posto de combustíveis! Mais além da ingenuidade da época, aí se vê como a imagem do cigarro estava ligada a sucesso. É o pai de família com seu cigarro tranquilamente enquanto os frentistas trabalham em seu grande carro.

Quando você compra um livro ou revista em sebo, corre o “risco” de encontrar coisas dentro, desde marcadores de página até lista de compras de 1975 (já aconteceu comigo).

Ao ler a revista, caíram algumas coisas de dentro. Uma delas foi essa foto.


Aparentemente, nada de mais. Mas junto veio um papel com a seguinte anotação: “Campiones Olímpicos. 9 junio 1924. Realizado en el Restráu Santuchi.”

A outra surpresa foi essa tabela da Copa do Mundo de 1978, realizada na Argentina, com os resultados preenchidos à mão por alguém que morava nos EUA à época. No destaque, a fatídica rodada dos 6x0 da Argentina contra o Peru que tiraram o Brasil da decisão naquele ano.


Esse ingresso também estava dentro da revista. É uma cortesia da companhia aérea Eastern (não existe mais) para assistir o jogo de futebol entre Miami Toros e New York Atoms pela antiga NASL (North American Soccer League), no estádio Orange Bowl.


Não cita o ano. Mas a equipe de Miami existiu entre 1972 e 1976. Nesse período, a única vez que dia 14 de junho caiu numa sexta foi em 1974, ano que os Toros ganharam a divisão leste mas perderam o campeonato para o Los Angeles Aztecs.

Pra terminar, uma outra revista comprada em um sebo há dois anos. Acho sensacional essa capa da edição 2067 da El Gráfico, de 7 de maio de 1959, porque valoriza uma parte importante do jogo que, geralmente, é esquecida e mal tratada: a bola.


Ponto final

Outra quinquilharia comprada em Montevidéu foi essa imagem do D-ABYJ, um Boeing 747-200 da Lufthansa.


Na verdade é uma régua, com os horários do voo entre Santiago do Chile e Frankfurt (aliás, a cidade alemã foi grafada errada em uma das tabelas) e todas as escalas.


E também tem um mapa dos assentos da aeronave, numa época em que ainda era permitido fumar durante a viagem.

quarta-feira, setembro 09, 2009

Campanha para voltarmos a escrever, não teclar

O pessoal geralmente não compreende a quantidade de papel que trago quando volto de uma viagem. São revistas, jornais, anúncios de supermercado, panfletos de rua, guardanapos de cafeterias. Como desculpa, sempre digo que faz parte da minha profissão ver como são os impressos quando estou num lugar diferente.

Mas vai além disso. Acho que um jornal é um grande retrato da situação do país no momento em que você estava lá.

Agora estou começando a ler os periódicos comprados nas férias. E dentro de uma revista Seleções Reader`s Digest argentina, tinha um curioso anúncio dos "Correos Argentinos", com a chamada Não receba apenas contas para pagar. Vamos voltar a escrever".

A campanha, por mais fora do comum que possa parecer, faz sentido. Hoje temos caixa de correio apenas para receber contas e propagandas. É quase como um e-mail para receber apenas spam.

Um dia desses precisei mandar uma carta e lembrei de que aprendíamos a preencher um envelope no colégio. Destinatário na frente, remetente atrás. Endereço completo e, principalmente, não esquecer o CEP.

Acho que a única esperança para essa campanha dos correios argentinos é as cartas terem o mesmo destino dos discos de vinil, a coexistência. Todos diziam que os LP's estavam mortos e muitos entregaram suas coleções em briques e hoje um disco que custava 5 reais há dois anos não se encontra por menos de R$ 30, R$ 40, e convivem pacificamente com CDs e MP3.

Em contra das cartas, entre outros, o fator ecológico, da economia de papel gerada pelo uso de e-mails. Sem falar no fato de você não ter de rasgar um e-mail por errar uma palavra quase no fim. Há, ainda, a praticidade de não precisar sair de casa, ir até uma agência para fazer envio, enfrentar filas e esperar de dois a sabe-se lá quantos dias para a mensagem chegar ao destino.

Esse é o anúncio e abaixo está o texto.


Não receba apenas contas para pagar. Vamos voltar a escrever.

Vamos voltar a escrever "Te amo mamãe" em um folha grande com marcadores de cores.
Vamos voltar a escrever uma carta às namoradas, uma carta imensa em um folha quadriculada, linha por linha.
Vamos voltar a escrever e ser admiradores secretos, desses que deixavam a pessoa sem ar.
Vamos voltar a colocar cartas onde diz cartas.
Vamos voltar a escrever e não teclar, para lembrarmos ainda que seja, de que não é o mesmo um corretivo, uma borracha, um mata-borrão que o delete do PC.
Vamos voltar a escrever, vamos voltar a ler uns aos outros.

segunda-feira, maio 25, 2009

Nada se cria...

Estava vendo uma das etapas do Giro d'Italia na Áustria quando vi uma marca muito familiar. Tanto que me assustei e achei que o Restaurante Tirol, aqui de Porto Alegre, estava anunciando na famosa competição ciclística italiana que completa cem edições este ano. Mas aí descobri que se trata do logo da região do Tirol, no sul austríaco.

Além do nome, tive a impressão que os dois logos são bem parecidos. Confere aí:

Site da região do Tirol na Áustria

Site do restaurante Tirol em POA


Semelhantes, não?

terça-feira, abril 07, 2009

TIM, Zaffari e cacofonias

Os professores no jornalismo sempre nos alertaram: cuidado com as cacofonias. Ou seja, quando a junção de sílabas pode provocar um erro de compreensão. Por isso, não se deveria escrever num jornal “por cada”, por exemplo, pois vai soar sempre uma bela porcada mesmo. (saudades do Leonam, ou Marques, como meu chefe chama ele...)

Duas campanhas publicitárias recentes me chamaram a atenção justamente pela falta de cuidado nesse ponto: a do aniversário de Porto Alegre do Zaffari e a nova da TIM.

A do Zaffari, na verdade, não é bem uma cacofonia e a tanto a companhia quanto a agência não podem ser responsabilizadas totalmente. Há anos a companhia de supermercados usa a música “Porto Alegre é Demais” para homenagear a capital gaúcha. A composição é do hoje prefeito da cidade, José Fogaça. A primeira-dama, Isabela Fogaça, interpreta a canção. Lá pela tantas da letra ela diz: “Porto Alegre me dói / Não diga a ninguém / Porto Alegre me tem”.

Nesse ano a agência do Zaffari mudou o vídeo, colocando cada verso sobre diferentes pontos da capital. Aí aconteceu o problema, como dá pra ver abaixo.


Talvez se tivessem separado mais o “me” do “tem”, ou colocado mais abaixo, não sei. Mas “Porto Alegre metem” ficou estranho.

Na sequência, entra a nova campanha da TIM. Muito bonita, para refletir mesmo tantas mudanças dos últimos anos. Mas o que mais marcou deste comercial foi o seguinte:


A leitura da frase em ritmo normal dá um novo sentido: “É tempo demente sem fronteiras”. Pode ser um alerta da companhia italiana.

Para quem quiser ver os vídeos, estavam nos seguintes links no dia do post: Zaffari e TIM.

Ponto final

O Ponto final de hoje é inédito. Pela primeira vez recebi um release para divulgar no blog... eheheheh E ainda que não ganhe nada com isso, achei interessante divulgar o conteúdo porque me parece legal para quem está na faculdade ainda. Além disso, depois de muito tempo, vai ter alguma coisa sobre jornalismo aqui, depois de tanto falar de aviação. É uma divulgação sobre um concurso de jornalismo da CNN. Informações no blog do Concurso.