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terça-feira, dezembro 08, 2009

Um quase acidente aéreo em Porto Alegre

Eram 15h05 do dia 7 de dezembro de 1981 quando o Airbus A300 da extinta empresa aérea Cruzeiro pousou no Aeroporto Salgado Filho em Porto Alegre. Uma aterrissagem que não terminou bem. O avião, prefixo PP-CLA, chegava para mais uma escala do voo 940, Rio – São Paulo – Porto Alegre – Montevidéu – Buenos Aires, mas uma falha no sistema da aeronave quase provocou uma tragédia.


Segundo a Folha da Tarde da época, na escala em São Paulo alguns passageiros notaram fumaça negra saindo da turbina esquerda. Na chegada em Porto Alegre, ao tentar acionar o reverso esquerdo da aeronave, o piloto não teve resposta e o avião seguia acelerado pela (sempre) curta pista do aeroporto da capital gaúcha. A alternativa foi dar um “cavalo-de-pau” e jogar a aeronave para fora da pista. A manobra dos comandantes Salet e Donza deu certo e o PP-CLA foi parar em uma vala na cabeceira da pista, que estava sendo ampliada mas, por sorte, nenhum operário foi atingido. O avião transportava 148 pessoas e apenas uma saiu ferida, sem gravidade.

O Airbus A300 da Cruzeiro após o acidente.


Esse acidente foi tema de uma matéria no Correio do Povo de 12/08/2007, pouco tempo após o desastre do voo JJ 3054 com outro Airbus, um A320, da TAM, em São Paulo. Curiosamente, a causa dos dois acidentes foi a mesma: falha ao ativar o reverso. Para sorte dos passageiros de 81, o aeroporto de Porto Alegre tem uma boa área de escape, apesar de até hoje ser considerado um dos piores do país pela extensão da pista e as irregularidades no asfalto.

O PP-CLA no Aeroporto do Galeão, no Rio, em um dia normal.


Tanto que o avião da Cruzeiro não foi o único a parar na vala no fim da pista do Salgado Filho. Em 2000, um Boeing da falecida Transbrasil aquaplanou, deixando seis passageiros feridos.

A Cruzeiro do Sul foi incorporada pela Varig. Por sua vez, a tradicional empresa gaúcha faliu e foi adquirida pela Gol que, lentamente, está terminando com as operações da famosa marca que durante anos era sinônimo de aviação no Brasil mas que, por falhas administrativas, perdeu força.

Ponto final

A Cruzeiro também foi protagonista de outro fato curioso no aeroporto gaúcho. Uma das aeronaves da empresa, com a parte dianteira vazia, “empinou” com o peso dos motores na parte posterior. A foto é de Valter Azevedo e pode ser vista no site Airliners.net.

sexta-feira, abril 03, 2009

Pelos ares - parte 3

Saguão do aeroporto de Santiago, no Chile

“Aí, meu padinho!”

Um voo da TAM que vai direto de Porto Alegre a Brasilia vem, na verdade, de Buenos Aires. Muitos turistas nordestinos viajam nesse voo, fazendo conexão na Capital Federal. Numa dessas viagens, a coisa ficou feia na chegada. Tivemos que esperar meia hora circulando sobre o Plano Piloto até que tivéssemos autorização para baixar. Estávamos quase completando o pouso quando o piloto arremeteu e deu aquela barulheira dos motores retomando a força. Não foram poucos os “Aí, meu padinho Padi Ciço” e Pai Nossos. O que aconteceu? Havia um outro avião na pista, atrasado.

Congestionamento no ar

Não sei como está hoje, mas para baixar no Aeroporto JK em Brasília há uns quatro anos era preciso paciência e até 45 minutos. Do quarto do hotel era possível ver, à noite, o congestionamento no ar. Formam-se “degraus”, cada um ocupado por uma aeronave, que ficam voando em círculos, conforme a ordem de chegada. Cheguei a ver quatro degraus certa noite.

Hoje não, por favor

Esse movimento todo na Capital Federal se deve basicamente a políticos chegando e saindo. Principalmente no início da noite de quinta-feira, quando os parlamentares voltam para suas bases. É um voo que tem até apelido: Camburão. Na única vez que peguei o Camburão, só pensei: “Lembra daquela vez que pedi para juntar todos políticos num avião e derrubar? Por favor, não hoje?”

Uma "bela" manhã para voar em Brasília. Eram 11h da manhã.

Hein? O quê?

Não sei se os Fokker 100 ainda estão em operação no Brasil. Parece que a Oceanair ainda tem. Mas eles ficaram famosos no tempo em que a TAM operava com eles. Mais especificamente por uma sequencia de acidentes que fez a companhia decidir pela troca por jatos da Airbus. Mas volta e meia se pegava um dos velhos Fokker e aquelas imagens vinham à cabeça. Mas o pior desse avião é que a turbina fica ao lado das poltronas do fundo. Obviamente que a desgraçada do check-in me colocou bem ali. Por mais que se grite, não dá pra ouvir nada, e por isso a aeromoça achou que eu não queria o sanduíche-quente deles.

¿Naranja? Sí, tome Coca-Cola.

Depois de muito tempo sem falar em espanhol, ia praticar um pouco na ida pra Buenos Aires com a Aerolineas. A comissária perguntou se queria beber algo, pedi um “jugo de naranja” e ela prontamente me serviu Coca-Cola.

Pátio do aeroporto de Ezeiza

Malaço
Estava voltando em um voo da Varig, antes da falência, e as comissárias com aquelas caras fechadas, característica daquele momento da empresa. Quando baixamos em Porto, uma delas foi retirar algo do compartimento de bagagem. Mas alguém havia posicionado mal uma mala, daquelas que tem o canto reforçado com metal, e acabou caindo bem no ombro da coitada. Casualmente, no momento em que a outra colega fazia o tradicional anúncio de “cuidado ao retirar seus pertences do compartimento de bagagem, pois eles podem ter se movido durante o voo e causar algum acidente.” E acrescentou: “Como aconteceu com a comissária.”

terça-feira, março 10, 2009

Pelos ares – parte 2


Não sei que avião sai do aeroporto de Porto Alegre à 1h da manhã, mas ouvir o barulho da decolagem faz aumentar a vontade de viajar. Ainda mais agora que, enfim, chegou meu livro da Varig! Vendo as fotos fiquei pensando como quatro hélices eram capaz de atravessar o oceano com pessoas e bagagens. Agora, só à jato.

Palmas para o piloto

Tinha escutado uma história de que os italianos aplaudiam o piloto após o final de um pouso bem-sucedido. E é fato. Logo o Airbus da Aerolineas encostou no piso em Fiumicino, ouviu-se metade do avião bater palmas. Fiquei com uma dúvida. Se o pouso não der certo, vão reclamar?

O terminal C do Aeroporto Leonardo da Vinci, em Fiumicino, cidade vizinha a Roma


“O assento da sua poltrona é flutuante”

Sempre que ouvia as comissárias dando essa orientação no início de um voo, ficava imaginando como ia fazer para retirar a poltrona inteira em caso de pouso na água. E, pior, todo mundo ali, boiando, mas bem sentadinho. Só numa das últimas viagens que fiz, vendo um cartão da Aerolineas Argentinas com desenhos, descobri que é só a almofadinha que sai. Ainda bem que não precisei.

Mais sorte que juízo

Voltando pra Porto depois de um evento, chego ao Aeroporto com minha chefe 15 minutos antes do horário de partida do voo, quando eles pedem para chegar uma hora antes. Achei que ia levar uma mijada, mas a mocinha do balcão da TAM começou a pedir desculpas, porque o voo estava com problema de overbooking. Íamos perder aquele voo de qualquer jeito, mas acabamos saindo com R$ 250 de bônus para próximas viagens.

Mas que aeroporto pequeno

Tinha que esperar umas três horas para embarcar em Buenos Aires. Estava no aeroporto de Ezeiza, e me impressionou como era pequeno, para uma capital de um país grande como a Argentina. Fiquei ali, a base de media-lunas e refri, sem ter nada para fazer. Pois quando faltava meia-hora para sair, descobri que estava no terminal 2, de uso exclusivo da Aerolineas Argentinas, e que se caminhasse um pouco veria uma passarela para o terminal 1, que tinha livrarias, restaurantes, bancos confortáveis...

Aeroporto Ministro Pistarini, Ezeiza, Argentina


As comissárias

Impressionante como as comissárias de bordo podem ser tão diferentes de uma companhia para outra. As da Varig, na época que a empresa estava quase falida, andavam num mau-humor, sempre emburradas. As da TAM tinham um ar esnobe, até para servir o famigerado sanduíche-quente do lanche. As da Gol eram só sorrissos, até pra ouvir xingão ou anunciar turbulência. Já as da Aerolineas Argentinas se caracterizavam pela experiência, por assim dizer. Tanto que, voltando da Itália em 2006, fizeram uma homenagem quase no fim da rota ao chefe dos comissários, que fazia seu último voo antes da aposentadoria.

A volta é sempre mais complicada

Esse voo, aliás, foi complicado. O Airbus A340-200 tem três fileiras de assentos, e eu fiquei na coluna do meio, no corredor. Do meu lado, um italiano ocupava a poltrona dele e metade da minha, para se ter uma idéia do tamanho da criança. Pouco dormi das 13 horas de viagem, ficava caminhando, ia juntar o travesseiro que teimava em rolar pelo avião, estava com calor e um pouco gripado. Como diz meu velho, ir é fácil. Voltar demora...

Gripe

Falando em gripado, quem já viajou com o nariz trancado sabe como é ruim ficar assim num ambiente pressurizado. Aconteceu quando voltei de Recife no madrugadão da Gol que, para minha tristeza, fez escalas em Salvador, no Rio, em São Paulo... Cada descida e subida você sente direto no nariz tudo aquilo que aprendeu na aula de ciências sobre alterações de pressão conforme a variação da altura.

Chegando em Recife, obviamente num dia de chuva


Passageiros indesejados

Ezeiza fica num descampado longe pra caramba do centro de Buenos Aires. E o avião que peguei para voltar das férias em 2007 estava num canto do aeroporto mais longe ainda. No meio da escuridão, apenas as luzes do Airbus da Gol se destacavam, e isso acabou atraindo um monte de mosquitos que embarcaram juntos. Quem estava de bermuda voltou para casa cheio de bolotas das picadas dos bichos. Só depois de dedetizar a cabine pudemos decolar. Fedendo a veneno.

Desembarcando no meio do campo em Ezeiza. De dia não tem problema, à noite é brabo aguentar os mosquitos.

quinta-feira, março 05, 2009

Pelos ares

Talvez seja pelo fato de não viajar há um bom tempo, mas bateu uma saudade e essa última semana andei lendo bastante sobre aviação comercial. Encontrei dois bons sites sobre o tema.

Um é brasileiro, o Jetsite, com atualidade e seções como Nostalgia (na qual li sobre o belo Lockheed Constellation) e Blackbox (com relatos das caixas-pretas resgatadas de desastres aéreos). Além disso vende um livro com fotos das aeronaves utilizadas pela Varig (o qual paguei há duas semanas e tô aqui esperando).


O “Connie” da Panair do Brasil


Outro é estrangeiro, o Airliners, com um banco de imagens com 1.395.663 registros. Só do Aeroporto Salgado Filho, de Porto Alegre, são 2.408 fotos relacionadas. Entre elas, a da aterrissagem de emergência do Hawker Siddeley HS-748 da Varig, com problemas no trem de pouso dianteiro; ou o Boeing 727 da Cruzeiro que empinou por causa do peso dos motores (foto abaixo); do acidente da mesma companhia, em 1982, com um Airbus 300, que só parou na vala no fim da pista, por problemas no reverso (exatamente o mesmo problema com outro Airbus, o da TAM, em julho de 2007 em Congonhas). E, também, da época que, apesar do aeroporto ser menor que o atual, os gigantes ainda pousavam por aqui, como o Boeing 747-200 da Varig. Enfim, tem imagens para passar horas na frente do computador (para quem gosta do assunto, claro).


Segura o bicho, tchê!


Depois de tantas leituras, vieram à memória algumas histórias passadas nestas máquinas voadoras, ou fora delas. O primeiro voo, por exemplo, em 2003, para São Paulo, à trabalho, acompanhado da chefe e da Sarah, na época que éramos colegas de estágio.

Qualquer um nessa situação tem certas expectativas. Ainda mais quando você tem problemas com altura, que era meu caso. Tá, ainda é, antes que a Tassi venha desmentir aqui e contar que eu não chego perto de para-peito em 2º andar de shopping.

Voltando ao avião. Era um Airbus da Gol. Fui de janelinha. A mão suava. Qualquer barulhinho e eu já olhava pro lado. Se o pessoal continuasse calmo, ficava tranquilo. Me impressionou o fato de minha chefe seguir trabalhando tranquilamente, enquanto eu não conseguia abrir a barrinha de cereal.

Pior é quando se chega em Congonhas pela primeira vez. Você não sabe se a proximidade dos edifícios é normal ou se o avião vai dar de frente numa torre daquelas. Dava pra ver perfeitamente os detalhes de uma mulher fazendo topless numa cobertura (não foi o caso, mas daria).

Do nada, somem os prédios e aparece a pista. Quando encostou o trem de pouso traseiro, pensei “Bah, o pouso é suave”. Mal terminei o pensamento, a roda dianteira encontrou a pista e o freio foi ativado. Aí sim, leva um soco e tudo chacoalha.

A volta foi mais tranquila, apesar da primeira turbulência. Mas quando o comandante disse que estávamos a mais de 800km/h, voando a uma altura de 36.000 pés, o equivalente a mais de 10 mil metros, olhei pela janela. “Putz, tô a dez quilômetros do chão. Se acontecer algo, não tem nada pra fazer”. A partir de então, nunca mais tive problemas de sustos em avião.

Tem outras situações, como o dia que descobri, numa das últimas viagens, qual parte da poltrona era flutuante. Mas deixo para próximos posts.