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segunda-feira, março 01, 2010

"O segredo dos seus olhos", de Juan José Campanella

Li sobre o filme “O segredo dos seus olhos” em junho do ano passado. Chamou a atenção pela volta de uma tradicional dupla do cinema argentino, o ator Ricardo Darín e o diretor Juan José Campanella. Tal qual Mastroianni e Fellini, Darín sempre apareceu nos principais trabalhos de Campanella, como “O mesmo amor, a mesma chuva”, “O Filho da Noiva” e “Clube da Lua”.



Sobre o Darín, baita ator. Está em todas na telona de lá. É sempre o cara que a mulher mais bonita quer. No caso, Soledad Villamil. Sempre tem um “Sancho Pança” ao seu lado e esse coadjuvante, geralmente, é quem tira as risadas da plateia e ganha a simpatia de todos. Foi assim com Eduardo Blanco, Diego Peretti e, agora, com Guillermo Francella, no papel de Sandoval, o incorrigível borracho colega de Darín.

Impressionante. É tudo o que dá pra dizer sobre “O segredos dos seus olhos”. Tem sido a única palavra que fica na minha mente ao terminar de ver qualquer filme dessa onda de bons diretores do país vizinho nos últimos dez anos. São muito bons na crítica política e no suspense e, quase sempre, ao fazer as duas coisas juntas. Neste filme, sobrou também para o sistema judicial do país.

Sugiro a quem gostou de “Nove Rainhas” e “O Sinal”, que assista “O segredo...”, que dia 7 de março concorre ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Até por essa indicação o filme está, pelo menos nessa semana, em um bom número de salas em Porto Alegre.

quarta-feira, fevereiro 03, 2010

Filme: Invictus

Desde que li na orelha do livro "Conquistando o Inimigo: Nelson Mandela e o jogo que uniu a África do Sul", de John Carlin (escrevi sobre ele aqui no blog), que a obra estava sendo transformada em um filme, fiquei esperando o lançamento. Por mais que acreditasse que, por ser um filme sobre rugby, não passaria no Brasil. E a mudança da previsão da estreia de dezembro pra janeiro só aumentou minha desconfiança.


Mas na última sexta entrou em cartaz Invictus, dirigido por Clint Eastwood e tendo Matt Damon como o capitão da seleção sul-africana, François Pienaar, e Morgan Freeman no papel de Nelson Mandela. As críticas da véspera não eram as melhores: repleto de chavões, filme meloso, Eastwood perdeu a oportunidade de fazer um grande filme e até alguém sugerindo que deveria ter um locutor do esporte explicando o que acontecia durante o jogo, porque os brasileiros não conhecem rugby!

Não dei muita bola. Sábado peguei a Tassi, botei minha camiseta da Copa do Mundo de rugby que ela me deu de Natal e nos mandamos pro cinema.

Se o filme é cheio de frases feitas? De certa forma sim. Sempre foi o jeito de Mandela falar, usando ditos com alguma lição.

Pra mim, Invictus pecou muito em abordar pouco a questão política desse período de transição da África do Sul e se focar muito nos problemas da vida pessoal de Mandela (o isolamento da família). As poucas que se focam nos esforços do presidente em evitar uma guerra civil, muitas vezes indo contra o seu próprio grupo, são as melhores. Enquanto ele era questionado em sua liderança frente ao país, o capitão dos Springboks (apelido da seleção local de rugby), Pienaar, era questionado por seus próprios companheiros de time. E ambos precisavam fazer valer a tarefa que tinham, de guiar seus comandados rumo ao objetivo maior: do primeiro, unir o país. Do segundo, conquistar a Copa do Mundo de Rugby de 1995, quando seriam locais.

Freeman e Damon e os originais Mandela e Pienaar

É justamente durante a disputa do torneio que aparece, para mim, o destaque do filme, as cenas de jogo. Talvez porque eu goste do esporte. As cenas me pareceram bem reais, dá a impressão de se estar vendo um jogo mesmo, na tela grande, e dentro do campo. Muito bom.

Mas tem algumas ressalvas. Eastwood usou de forma exagerada as imagens de baixo dos scrums (clique aqui para saber o que é isso), mas serve para o filme. Afinal, é um dos momentos do jogo no qual a coletividade se faz mais necessária: oito jogadores juntos tentando obter a posse da bola "empurrando" um grupo adversário. Outra é o uso em demasia de câmera lenta nos instantes finais da última partida. Seria uma tentiva de clímax, mas cansa.

De toda a forma, saí satisfeito. Mesmo quem não entende o esporte vai compreender bem. Quem sabe até se sinta tentado a acompanhar mais sobre a modalidade, a segunda mais praticada em todo o mundo, e que vai voltar à Olímpiada em 2016, no Rio.

Mas pra quem quiser entender um pouco mais sobre aquele momento de transição da África do Sul, leia o livro. Principalmente os colegas jornalistas que irão para lá cobrir o Mundial de futebol deste ano. Vai reduzir, e muito, as chances de falar alguma besteira.

Ponto final

Falando sobre rugby, sábado, dia 6, começa o principal torneio entre seleções europeias do esporte: o Six Nations. A Irlanda vai defender o título conquistado em 2009. O site da ESPN especializado em rugby, Scrum.com, organizou uma fantasy league pra competição. Lendo aqui e ali, já escalei meus quinze, na brincadeira. Meu time ficou quase um British and Irish Lions (seleção especial com jogadores ingleses, galeses, escoceces e irlandeses): G Jenkins (GAL), M Castrogiovanni (ITA), Hartley (ING), P O'Connell (IRL), S Shaw (ING), J Heaslip (ING), N Easter (ING), T Duasautoir (FRA), C Cusiter (ESC), J Wilkinson (ENG, vai ser o kicker), B O'Driscoll (IRE), J Roberts (GAL), R Kearney (IRE), S Williams (GAL) e L Halfpenny (GAL). Vamos ver se em cinco anos acompanhando o esporte já aprendi alguma coisa.

quinta-feira, outubro 15, 2009

Paris, o filme

Entrei na sala de cinema para assistir Paris com a expectativa de ver mais um capítulo da história iniciada com “Albergue Espanhol” e sequenciada por “Bonecas Russas”. Afinal, o diretor dos três filmes é o mesmo Cédric Klapisch e o papel principal cai ao mesmo ator, Romain Duris. Até para filmar a capital francesa o Klapisch utiliza os mesmos jogos de câmera já utilizados na fotografia das cidades objeto das outras duas obras, Barcelona e São Petesburgo, respectivamente.


Mas as semelhanças terminam aí, na câmera. O personagem de Duris é outro. Sai Xavier, entra Pierre. Jovem bailarino, descobre uma grave doença cardíaca que muda sua vida e de sua irmã mais velha, Élise (Juliette Binoche), mãe solteira que passa a morar junto ao rapaz para cuidá-lo, ainda que para isso arranje diversos problemas com os filhos e no trabalho.



A partir daí, o cineasta monta uma rede com os personagens. Uma série de pessoas que vivem numa grande cidade, cada uma com seus problemas, considerando suas dificuldades maiores que as dos outros.

Por meio de Élise, conhecemos a história dos trabalhadores de uma feira próxima a sua casa. Um deles, triste pela separação da esposa. Os outros são mais farreadores, como se revela na cena com modelos que visitam um grande centro de distribuição de alimentos francês. Entre elas, uma que se apaixonou por um camaronês que quer entrar ilegalmente na França para viver junto ao irmão, porteiro no prédio de Pierre.

Romain Duris e Juliette Binoche

E é da janela de seu apartamento que ele observa a bela e jovem vizinha, mas não é correspondido, uma vez que ela se envolve com um colega de faculdade e, em paralelo, com um professor, reconhecido pelos conhecimentos da história de Paris. Ele sofre por não ter todo amor da jovem e por viver à sombra do exitoso irmão, um engenheiro bem casado.

A opção por uma fotografia cinzenta é um grande contraste à imagem de Cidade Luz que Paris tem. Auxilia na montagem de um aspecto frio para o filme, junto às confusões normais de uma grande cidade e o mal-humor típico parisiense.

Vale a pena conferir a trilha sonora do filme. Dá pra ter uma provinha no site de divulgação: www.lefilm-paris.com

quarta-feira, setembro 23, 2009

Filme Gigante num pequeno país

"Gigante": Comédia, direção de Adrián Biniez

Desde a estreia no Festival de Gramado deste ano, textos sobre o filme uruguaio "Gigante" têm ocupado páginas e mais páginas de jornais, links e mais links na Internet. Quase sempre falam sobre a mesma coisa: a qualidade do cinema do nosso pequeno país vizinho, em destaque desde os sucessos de "Whisky" e "El Baño del Papa". Um fato que contrasta com o pouco incentivo que recebem e a necessidade de produzir com esse pouco.

"Gigante" é mais um desses filmes. Nada das questões existenciais vazias e levianas regadas à sexo e drogas que caracterizam os últimos campões de bilheteria do cinema brasileiro. Apenas histórias de gente real contadas de uma forma real.


Como a de Jara (Horacio Camandule), esse vigia grande apaixonado por Julia (Leonor Svarcas), uma das faxineiras do supermercado onde trabalha monitorando as câmeras de segurança. É através do vídeo, numa menção ao voyeurismo que tanto nos interessa e que tantos lucros rende aos reality-shows, que ele acompanha sua amada. De tão cego que está por essa paixão platônica, age em defesa dela mesmo sem saber se é correspondido. Falta-lhe a coragem para se declarar. De repente, toda a brutalidade daquele "monstro" de sabe-se lá quantos metros de altura por outros tantos de largura desaparece, e ele fica até menor e mais frágil que ela.


Nestes contrastes de grande e pequeno, fúria e calma, a estória é contada em 90 minutos em uma forma lenta, por vezes monótona. Uma decisão justificada. A própria vida de Jara era assim também, fazendo o controle das câmeras ao longo da madrugada em um supermercado vazio, sem movimento algum entre as gôndolas, ou entre movimentos repetitivos de outros colegas de empresa, como o padeiro que amassa o pão sempre da mesma forma.

O reconhecimento ao trabalho do diretor argentino Adrián Biniez veio em forma de prêmios em grandes festivais. Saiu com o Urso de Prata do Festival de Berlim este ano. De Gramado, o grandalhão Camandule levou um Kikito de melhor ator para casa e o filme ainda recebeu os prêmios de Melhor Roteiro e o Prêmio da Crítica.

Links:

Página da produtora do filme: http://www.controlzfilms.com/paginas/gigante.htm
Página do filme no IMDB: http://www.imdb.com/title/tt1360866/
Foto: Divulgação do filme

segunda-feira, fevereiro 02, 2009

O Curioso Caso de Benjamin Button

(EUA, 2008. Direção de David Fincher)

Há um bom tempo eu não ia ver um filme no final de semana de estreia. Mas quando li sobre "O Curioso Caso de Benjamin Button" deu vontade de ir ver essa história tão inusitada, de um homem que nasce velho e vive sua vida ao revés. Finalmente algo diferente entre os blockbusters. E há duas semanas lá estávamos minha namorada e eu numa gigantesca fila (dessa parte eu não lembrava, de tão acostumado a ir ver filmes que estavam saindo de cartaz).

A história é baseada no conto de mesmo título escrito por F. Scott Fitzgerald (que você pode ler, em inglês, clicando aqui). Antes de ir para a sala de cinema consegui ler apenas um capítulo do conto, e por isso o início do filme me decepcionou um pouco, por ser muito diferente do original. Se tivesse lido toda a história, veria que o filme, fora os nomes dos personagens e da obra, não tem nada a ver mesmo.


A começar pelo tempo no qual a história começa. Na leitura, estamos em 1860. No filme, 1918. O pai de Benjamin não o entrega em uma casa para idosos no conto. Ainda que a contra-gosto, convive com o filho. Benjamin se casa com uma moça da sociedade de Baltimore (não Nova Orleans), tem um filho (não uma filha), luta na Guerra Hispano-Americana (não na Segunda Guerra Mundial), entre outras diferenças.

Mas um filme não precisa ser a reprodução fiel da sua origem. Neste caso, cada obra tem pontos de destaque.

Da leitura, gostei muito do fato de Benjamin já nascer grande e falando. Encontramos um personagem sarcástico, a ver pelas suas primeiras palavras, bem diferentes de um "gugu-dadá":

"Olha só", disse o velho, enrolado num cobertor, "se você acha que vou pra casa com isso, está completamente enganado."
"Mas bebês sempre usam cobertores."
"Bem, esse bebê vai estar sem nada em dois minutos. Esse cobertor dá coceira. Se tivessem me dado um lençol."
"Não tira isso, não tira", disse o sr. Button, pai, rapidamente.


O filme, por sua vez, tem uma cena que já vale todo o ingresso, e que não fazia parte do conto original. A sequencia que fala sobre coincidências (lembrando o início de outro file, Magnólia) é marcante, faz relembrar tantos fatos que acontecem na nossa vida por um semafóro fechado, um atraso para pegar um avião, entre outras situações que somos salvos ou envolvidos em algo que, se qualquer coisa no meio do caminho tivesse acontecido diferente, nossa vida poderia ter mudado o rumo.

O que me causava mais dúvida era como terminariam um filme assim. Um ótimo argumento, mas que, justamente por isso, poderia cair numa grande bobagem se não fosse acacbado direito. Mas a solução, tanto da tela quanto das letras, é um gran finale. Fora o Brad Pitt, o filme é sensacional. Tá, há de se admitir que o cara atuou bem, e que as indicações ao Oscar foram merecidas. Uma daquelas histórias que qualquer um gostaria de ter escrito antes.

Ponto final

Nossos Correios não terminam de me surpreender. Apenas sexta, dia 30, fui receber o cartão de Natal que uns amigos italianos postaram no dia 28 de novembro! Chegou ao Brasil no dia 5 de dezembro, mas havia um carimbo no envelope marcado no item "Número inexistente". Essa marcação estava riscada com uma caneta vermelha e escrito "Está correto" do lado. Só depois desse bate-boca interno, e da carta quase ter voltado para origem, o cartão chegou.

Crédito da foto: © Paramount Pictures, Warner Bros. Pictures, Kennedy/The Marshall Company

terça-feira, janeiro 27, 2009

O mistério do Samba

(Documentário, Brasil, 2008. Direção de Carolina Jabor e Lula Buarque de Hollanda)

O silêncio nos créditos iniciais do documentário "O Mistério do Samba". Afinal, num filme sobre a Velha Guarda da Portela o que você espera é uma batucada já de cara. Claro que o ausência de som é rompida rapidamente, com as primeiras imagens que vão revelando o cenário e algumas das pessoas que serão apresentadas ao longo do filme.


O bonito de "O Mistério..." está no importante registro histórico que faz resgatando antigos sambas de integrantes da escola de samba, num trabalho iniciado na década de 70 por Paulinho da Viola e complementado por Marisa Monte nos últimos dez anos. Ambos participam do filme, ele com seus depoimentos e ela pelas conversas com integrantes da escola e a caça a relíquias escondidas nas casas do bairro de Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro. Algumas músicas se perderam, como mostra o relato da viúva de Manacea, que emprestou o caderno com as composições dele a um repórter, que nunca mais devolveu. (quem será que foi o colega?)

O samba merece valorização. Mas esse samba tradicional, não as coisas que fizeram depois e que desvirtuaram totalmente um estilo musical original, com história, e de composições feitas com envolvimento emocional, e não apenas seguindo um modelo comercial pré-determinado. Falando em modelos, o próprio Carnaval está ficando assim, deixando de ser algo da comunidade. Por alguns mil reais, qualquer um pode desfilar.

O filme mostra uma época anterior a isso, quando o envolvimento da comunidade era maior, com o presidente da escola passando de casa em casa para buscar apoio e crianças para participarem do desfile.

Passam pela tela, entre outros, Jair do Cavaquinho, que começou a praticar tocando em uma tábua com fios de arame, seu Argemiro, que se descobriu compositor aos 56 anos de idade, Monarco, Casemiro da Cuíca... De todos os relatos, como existe sempre a tendência de se guardar na memória aquilo que não presta, fica o depoimento de um caso envolvendo Zeca Pagodinho e seu Argemiro, falecido em 2003, durante as gravações.

"O Argemiro é o velho mais safado que tem na Portela. Um dia estava com duas meninas e decidimos passar lá na casa dele para almoçar, já que ele morava sozinho. Levamos carne, salada, elas prepararam tudo, deram comida na boquinha dele e, quando terminou, fui me despedir. 'Tchau, seu Argemiro". Ele me respondeu 'Tchau, nada. Manda as piranha lavar a louça'. 'Pô, seu Argemiro, não fala assim das meninas, elas fizeram tudo, te deram comida na boquinha'. 'Eu não pedi porra nenhuma disso, manda as piranha lavar a louça'. E as duas foram bem faceiras dizendo como ele era engraçadinho"

terça-feira, setembro 23, 2008

Na sala escura...
“Meu irmão é filho único”

Como já estava no Centro e tinha a tarde livre, dei uma olhada no Correio para ver as opções do cinema. Por sorte, a Casa de Cultura Mario Quintana estava com um filme que me interessou: “Meu irmão é filho único”, de Daniele Luchetti.

Por ser um filme italiano, queria aproveitar para dar uma praticada na língua. Mas como a história se passa em Latina (cidade vizinha a Roma), o sotaque romanesco era tão forte que dificultou.

O filme começa com a partida de Antonio Benassi (conhecido como Accio, ou seja, que pode ser traduzido como “pessoa má”, num sentido familiar, ou como um sufixo, dando o sentido de "o pior"), em 1962, para um seminário. Apenas o irmão mais velho, Manrico, acompanha a despedida, de longe. Accio foi criado em uma família italiana típica, marcada pela força da mãe e a debilidade do pai diante desse poder matriarcal. Os Benassi vivem em uma casa caindo aos pedaços, mas têm a promessa do governo de que logo receberão um novo lar.

Impressiona o rigor com que Accio se dedica às suas atividades. No seminário, quando comete alguma falta, não se satisfaz com punições pequenas. Ao perceber a falta de rigor, deixa o seminário e volta para casa. Da mesma forma ele vai aos extremos quando entra ao partido fascista e, posteriormente, ao movimento comunista italiano.

Foto: Divulgação site

O filme tem grande valor por mostrar uma Itália ainda em recuperação após o desastre da 2ª Guerra Mundial. Após um período de grande euforia e crescimento na década de 50, com a intensa injeção de capital norte-americano no país, a Itália volta à estagnação durante o período da Guerra Fria, intensificando o conflito contra um crescente comunismo (briga esta causada pela forte influência católica no país) e vendo o ressurgimento do movimento fascista (assim como o Collor voltou ao Congresso e muitos defendem uma nova ditadura militar no Brasil, na Itália muitos pensavam que os fascistas não tinham sido tão ruins). É feita referência, ainda, ao fenômeno das Brigadas Vermelhas, na década de 70, quando correntes marxistas-leninistas partem para a luta armada. O grupo é marcado pelo sequestro e assassinato do presidente da Democracia Cristã, Aldo Moro, em 1978.

Accio é o próprio retrato da Itália, variando de extremo a extremo, se perdendo em debates e agindo pouco. Por culpa disso, o país ficou estagnado enquanto a Europa se desenvolveu. Como o próprio Accio diz, “todos falam que a gente envelhece e vai ficando melhor. Eu só envelheci e nada mais”.

Ponto final

A Casa de Cultura precisa de socorro urgente. Comprei o ingresso e, antes de entrar no cinema, a mulher na entrada me avisou, se desculpando várias vezes, que aconteceria um evento do lado de fora durante a sessão e que, por isso, poderia ter barulho dentro da sala.

Não me importava. Adoro aquelas salas de cinema. Foram nelas que conheci a obra de Fellini (o que motivou a voltar a estudar italiano e conhecer a terra natal do diretor), ali vi bons filmes argentinos e clássicos do cinema, ali dormi os melhores sonos nos finais de semana depois de cansativas semanas de estágio e estudos...