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quinta-feira, agosto 27, 2009

Perseguido pelo Grêmio na Argentina

Parece que a antiga alcunha de "time mais argentino do Brasil", usada para descrever o Grêmio, levou os hermanos a desenvolver uma certa simpatia pelo tricolor. Durante a viagem pra Buenos Aires, nas férias, várias vezes tive referências que me faziam lembrar do clube.

Era até curioso o número de pessoas que, ao tomarem conhecimento de que era do Brasil, falavam que torciam pelo Grêmio. Antes até de eu mencionar as palavras "futebol" ou "Porto Alegre".

Muito melhor que em 2004, quando fui a primeira vez para lá e, numa loja de esportes, o vendedor perguntou de onde eu era. Respondi e ele prontamente se entusiasmou. "Sim, Porto Alegre! Temos camisetas de times de Porto Alegre ali", apontando para a arara na qual repousavam as camisas da dupla mineira, Atlético e Cruzeiro.

Desta vez foi diferente. Claro que o fato do Grêmio estar na semifinal da Libertadores pesava. Havia recém jogado, e perdido, a primeira partida contra o Cruzeiro. "A defesa de vocês estava tomando mate naqueles gols, hein?", me disse um taxista. E, também, pesava o fato deles preferirem um brasileiro campeão a ver as comemorações em La Plata pelo Estudiantes. (Não deu)

Mas me sentia com o Grêmio onde eu estivesse. Nas lojas esportivas da Lavalle, ou da própria Florida, a tricolor estava nas vitrines. Algum colorado pode até dizer que "a do Inter não tinha porque venderam todas". Mas não. O Maxi López é bem mais popular que o D'Alessandro.

As conversas com os locais e o comércio não são as únicas provas do meu argumento de ser seguido pelo Grêmio em Bs.As. Tem mais.

1) O troféu no Museu do Boca

Tirei essa foto na loja no Museu do Boca, dentro da Bombonera. Eram as únicas duas réplicas do troféu da Libertadores à venda, cada uma por 300 pesos (R$ 200).


O detalhe está na base:


Também fiquei com essa dúvida que está na sua cabeça, caro leitor (ou estará agora): porque a do Grêmio? Influência da final da Libertadores de 2007?

2) O clube irmão

O Club Almagro (www.calmagro.com.ar) é uma equipe do bairro de mesmo nome em Buenos Aires. Abaixo, uma imagem de um uniforme recente do clube.


Não é uma das camisetas mais bonitas (aquele logo do patrocinador...), mas é bastante curiosa. A relação entre os argentinos e o Grêmio não é nova, como dá pra ver pela notícia divulgada no site do clube gaúcho em 2007 (clique aqui). O Almagro disputou a primeira divisão do argentino pela última vez em 2005 e, agora em julho, caiu para a terceira divisão.

3) Azul, branco e... preto?

Sempre achei essa camisa do Vélez Sarsfield muito bonita. Olhando pelas fotos do Olé, assim como na imagem abaixo, achava interessante a composição em azul, preto e branco.


Como a viagem aconteceu às vésperas da última rodada do Clausura, e o Vélez com chance de ser campeão (e foi), complicou para achar a camisa. Consegui um modelo mais antigo. Só aí pude ver que não era preto, mas sim um azul bem escuro. Para a temporada atual, voltou a ser um "V" simples. ¡Una lástima!


4) O copo de sorvete

Fomos tomar um sorvete na Freddo (recomendo) e ao olhar pro balcão vejo esse curioso recipiente.


Foi a desculpa perfeita para comer mais de meio quilo de sorvete. Gastei uma grana, mas valeu por mais uma "taça" tricolor.

5) Pra terminar...

Olha as cores do rótulo da cerveja preferida dos hermanos.


Tá, exagerei um pouco. Vale a pena dar uma lida nesta notícia no site do Grêmio para ver outras influências do clube por aí.

Agora imagine se o departamento de marketing do Grêmio fosse tão organizado quanto o do co-irmão...

Ponto final

Foi no rugby argentino que o Grêmio foi buscar inspiração para uma das camisas mais bonitas entre tantos erros da Puma nos últimos anos. O uniforme nº2, utilizado na Libertadores em 2009, é semelhante ao utilizado pela seleção argentina de rugby no Mundial de 2007, na França.


Aliás, do rugby também ficam duas sugestões para a fornecedora de material esportivo do tricolor.

A primeira vem da Argentina, feita pela Reebok para o San Isidro Club.


A segunda proposta é o uniforme da equipe inglesa do Bath Rugby. É até mais simples de se adaptar, uma vez que já é um modelo da Puma (e sem anteninhas).



PS: Falando em Grêmio, fica a dica de um blog sobre o Tricolor. Azul, Preto e Branco: http://azulpretoebranco.com.br/

sexta-feira, agosto 21, 2009

Atrás das fachadas da Corrientes

Quem anda pela calle Corrientes em Buenos Aires, nas primeiras quadras após o Obelisco em direção ao Rio de La Plata, vê as fachadas de grandes teatros que formam esta "Broadway portenha" e outras construções, como nas fotos abaixo.




Tive um tio que morou por um tempo em Gramado e isso me deu a oportunidade de conhecer o que havia por trás das bonitas frentes que formam uma cidade turística. Desde então, fiquei com essa curiosidade de ver aquilo que se esconde do turista, enfim, levantar o tapete para ver onde esconderam a sujeira.

As janelas do hostel eram ideais para essas observações. De um lado, a vista abaixo, num raro momento sem a branca fumaça do vapor das calefações das construções vizinhas.


Do quarto, a vista era esta.


Ninguém entende muito bem os porquês de colocar uma foto dessas num álbum de viagem. Mas o insólito está nos detalhes. Como a diferente forma de guardar a bicicleta, pendurada na grade.


Ou, então, a pequena planta que luta para sobreviver ao lado de uma casca de laranja e um tomate, sobre uma janela na qual nem a pintura resistiu à falta de luz.

segunda-feira, julho 27, 2009

Um guia de turismo em Tigre

Lembranças das férias

Depois de quase dois anos, voltei a Tigre, cidade ao norte de Buenos Aires Já escrevi um post sobre uma visita anterior (clique aqui para ler), mas desta vez a viagem teve um gosto especial: estava muito bem acompanhado. Ah, e pegamos um belo sábado de sol.

E por menor que seja Tigre frente à Capital, praticamente só vi coisas novas na bela cidade. A começar pela ida. Desta vez, fiz com o turístico Tren de la Costa (http://www.trendelacosta.com.ar/), um passeio que vale a pena pelas paradas que podem ser feitas.

De todas as possibilidades, baixamos apenas em San Isidro. É uma localidade pequena, um pedaço do interior da Argentina a menos de 20 minutos de Buenos Aires. Uma calmaria total. Numa praça, artesãos apresentavam seus produtos cercados por barracas de alimentação com as tipicas facturas e doces.

Na estação da pequena San Isidro


A estação final do Tren de la Costa é a Delta, e fica ao lado de dois dos principais atrativos de Tigre: um grande parque de diversões (Parque de la Costa) e um cassino (Trilenium). Fica próxima também do Mercado de Frutos, um conjunto de lojas que vendem desde produtos naturais até móveis, ocupando uns três quarteirões e antigos armazéns do porto da cidade.

O cassino da cidade. Desta vez nem cheguei perto. Muita sorte no amor...


Essa era uma parte que eu não conhecia da cidade e me surpreendeu pelo tamanho. Mas depois de caminharmos por ali levei a Tassi a parte que já havia passado, o porto turístico e o Paseo Victoria, bonito caminho arborizado às margens do rio Luján.

As embarcações no porto de Tigre. A maioria oferece passeios pelos canais do delta.


Para voltar a Buenos Aires, pensei em pegar o trem metropolitano, como havia feito na última vez. Mas quando chegamos ao terminal do Tren de la Costa, vimos um passeio para voltar à Capital de barco. E assim deu pra juntar a ideia de fazer um passeio pelo Delta do Tigre e chegar pelo Rio de la Plata em Puerto Madero.

Até a cachorrada curtindo um passeio de barco


É um passeio que vale o investimento. Quase duas horas num confortável catamarã, com direito a café e lanche. Abaixo, a saída de Tigre.


O rio estava meio congestionado naquela tarde.


Ao longo do trajeto, diversas casas, cada uma com seu atracadouro particular.


Entre as construções, está a Casa Museo Sarmiento, enclausurada em uma redoma de vidro, para melhor conservação. Domingo Sarmiento foi presidente da Argentina entre 1868 e 1874.


Para não correr o risco de pegar o rio errado e se perder, os caminhos são sinalizados.


Saindo dos estreitos canais e entrando no Rio-“Mar” de la Plata. Apesar de largo (chega a mais de 220km de largura entre uma margem e outra) não tem muita profundidade. Chega a no máximo quatro metros. Por isso, é preciso constante dragagem para manter a navegabilidade.


Povo velejando no fim de tarde. A quantidade de iates ao longo do caminho impressiona. Os portenhos pegam seus barquinhos, saem pela manhã da marina em Puerto Madero, atracam no meio do nada e passam o dia inteiro ali, sem ninguém incomodando.


Momento pôr-do-sol. Bonito demais.


Estava um tanto frio, pode-se dizer.


As construções ao norte de Buenos Aires.


O porto da capital.


O local da chegada na Dársena Norte, em Puerto Madero, entre modernas construções. A maioria sede de grandes empresas de tecnologia e telecomunicações.


Mais uma vez, assim como no post de um ano e meio atrás, fica a dica. Quem for para lá com tempo, é bom reservar um dia para conhecer essa beleza que é Tigre, caminhar pelas margens do rio e fazer um passeio pelos canais. É um olhar diferente pra quem quer fugir um pouco do circuito Tango-La Boca-Caminito-Casa Rosada. Sem falar que ver Buenos Aires do Rio de la Plata é indescritível.

sexta-feira, julho 03, 2009

Buenos Aires: entre eleições e gripe

A viagem não estava planejada. De última hora, apareceu a oportunidade de voltar a Buenos Aires. Desta vez, muito bem acompanhado. Em três dias, tudo organizado e, de repente, a dúvida. Os casos da gripe H1N1 estavam aumentando sem controle na Argentina. Os primeiros casos começavam a aparecer no Rio Grande do Sul, todos provenientes do país vizinho. O Ministro da Saúde pedia para que viagens para lá fossem canceladas.


Mesmo assim, partimos na quinta com meia-dúzia de máscaras na mochila. Se muita gente estivesse usando, colocaríamos também. Senão, não haveria porque passar por fiasquentos com aquele pano branco na boca. No aeroporto aqui, apenas alguns passageiros de mais idade e um jovem casal as utilizavam. Não era o caso dos funcionários do local ou dos policiais federais na área de embarque.

Dentro do avião, a primeira surpresa. O 737-800 da Gol, com capacidade para cerca de 190 passageiros, levava para a capital argentina no máximo 50. Não me lembro de um voo tão vazio.

Chegando em Ezeiza, a mão coçou para tirar a máscara da mochila. Entretanto, outra vez, poucas pessoas no salão da imigração e quase nenhum dos funcionários do aeroporto usava a proteção. Viajantes desembarcados de um voo da Air France que chegou ao mesmo tempo que o nosso olhavam surpresos sem entender os porquês de tantos mascarados. "E isso adianta alguma coisa?", deu para ouvir entre eles. "Nada", respondeu o outro.

Avenida de Mayo, centro da capital

As únicas orientações que recebemos eram lavar as mãos com frequência, de preferência com alcool-gel, e evitar esfregá-las na boca, nariz ou olhos. Ao tossir ou espirrar, direcionar a face para o próprio dorso e levar ao rosto um lenço descartável. Na falta de um, usar a manga da blusa.

No centro da cidade, você até esquecia da gripe. Só lembrava quando entrava no metrô (todo subterrâneo) ou nos ônibus, que nessa época circulam com as janelas fechadas. Mas, mesmo assim, não havia uma pessoa com proteção.

Na fila do caixa em uma livraria, um senhor me comenta que não entendi o porquê da recomendação aos brasileiros para não viajarem a Buenos Aires por causa da gripe. E continuou, me explicando que o problema maior estava nas províncias, não na capital.

Saída da estação Delta do Tren de la Costa, em Tigre, ao norte de Buenos Aires. Cadê as máscaras?

Então, paranoia dos brasileiros ou igenuidade deles?

Na verdade, eu acredito em exagero pelo nosso lado e falta de informação entre os portenhos.

Explico. No domingo, dia 28, aconteceram as eleições legislativas. E, assim como no Brasil, quando tem eleições, os políticos esquecem do povo e só pensam em como manter seu poder ou tomá-lo dos outros. Os Kirchner concentraram os esforços em tentar garantir a maioria no Congresso e a questão da saúde pública ficou de lado. Os avisos da Ministra da Saúde foram ignorados, como se sabe agora. Afinal, pensando como um político, assumir que havia uma calamidade poderia estragar os planos do casal no poder.

E o país começou a semana com a notícia da derrota de Kirchner. O governo perdeu a maioria no Congresso e corre grande risco de perder também o principal posto do país no pleito que acontecerá em dois anos. As manchetes dos jornais destacavam fotos de um cabisbaixo Néstor Kirchner e títulos como "Dura derrota", "Perdeu" chegando até a "O fim do kirchnerismo".

Capa do "Crítica de la Argentina" de segunda, dia 29. Precisa escrever algo mais?

Só agora, passada a votação, começaram as ações. A Ministra da Saúde, enfraquecida, renunciou. O prefeito de Buenos Aires, Maurício Macri (ex-presidente do Boca Juniors entre 1995 e 2007), decreta emergência sanitária na capital e destina verbas para o combate da gripe. Uma ação fundamental, mas que tem outras intenções, uma vez que Macri, rival dos Kirchner, pensa na presidência do país em 2011.

Sem o tema político, a mídia passou a tratar mais sobre a doença. O "Crítica de la Argentina" de hoje (3/7), tem a informação que, enquanto o governo divulgava na sexta um total de 1.587 casos, o número verdadeiro seria mais de 100 mil! A população agora se alerta para o tema. As máscaras, que em abril custavam 0,80 pesos, são encontradas agora por 7 pesos cada!

Casa Rosada, sede da presidência argentina. Pensando nela, os políticos de lá esqueceram de pensar na saúde do povo.

Para a volta, no dia 30, resolvemos no aeroporto colocar a proteção. É bastante incômoda, pois o calor da respiração fica concentrado na área fechada pela máscara. O papel começa a ficar úmido e, por isso, a cada duas horas é preciso trocá-la. Não foi necessário, pois já estávamos em casa quando esse prazo passou.

Agora tem o prazo de sete dias para se manifestar algum sintoma, o que não aconteceu até agora e tenho certeza que não vai acontecer. Mas achei curioso, nesses dois dias após o retorno, que tem mais gente tossindo e espirrando dentro dos ônibus aqui de Porto Alegre do que lá.

Mais sobre a viagem nos próximos posts. Mas quem cancelou a viagem por causa das ameaças de doença, perdeu ótimos dias às margens do Rio de la Plata.

Ponto final

Hoje é aniversário da minha loirinha linda! Tá fazendo um quarto de século hoje! Pena que não vai dar para comemorar junto, porque ela tá em férias na casa dos pais, a mais de 500km de Porto...